
Afonso Bezerra, RN – Esqueça o tradicional circuito junino do Rio Grande do Norte. Neste sábado, dia 6 de junho, todas as atenções do estado não estarão voltadas para o megaevento do "Pingo da Meio-Dia" em Mossoró, tampouco para o agitado "São João de Natal". O verdadeiro epicentro dos holofotes norte-riograndenses promete ser a festa de aniversário do prefeito de Afonso Bezerra, Haroldo de Jango.
A expectativa em torno do evento é tão avassaladora que causou um verdadeiro fenômeno político e social na região. Relatos que chegam à nossa redação apontam que a comoção fez até ex-prefeito descer da praia às pressas. Mais do que isso: ônibus de aliados que já estavam fretados rumo a Mossoró foram sumariamente cancelados. O motivo? Ninguém quer ou melhor, ninguém pode perder os parabéns do chefe do Executivo municipal.
Se não for, vai pra fora?
O clima entre os servidores públicos e aliados políticos da cidade é de pura "indução festiva". Segundo informações de bastidores, a entrega dos convites tem seguido um modelo peculiar de "apreensão psicológica". A mensagem subliminar que ecoa nos corredores da administração pública deixa uma dúvida cruel no ar: “Se eu não for, acho que vou pra fora?”
A ironia da situação se transforma em preocupação real para muitos. Há relatos de funcionários que amargaram o prejuízo de cancelar camarotes inteiros já pagos para o Pingo da Meio-Dia. O receio geral é um só: curtir o sábado em Mossoró e, na segunda-feira, ter que passar no departamento de recursos humanos para assinar a demissão. É a política do "comparaça obrigatória".
Festa de bilhões, dúvidas de milhões
Além do funcionalismo em peso, o evento deve contar com a presença de várias lideranças e figuras políticas da região, desenhando o aniversário como um verdadeiro palanque antecipado.
No entanto, em meio aos preparativos de tamanha estrutura, uma pergunta não quer calar e já ecoa forte entre os cidadãos de Afonso Bezerra: afinal, de onde está saindo a verba para custear essa megaestrutura? Em ano de movimentações intensas, a linha entre uma comemoração pessoal e o claro abuso de poder político e econômico parece cada vez mais tênue. Resta saber se as autoridades competentes vão olhar para o evento com os mesmos olhos festivos da gestão municipal.
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