
Os dados do mais recente Indicador Criança Alfabetizada 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep, acenderam um alerta crítico para a educação do Nordeste e do país: o Rio Grande do Norte é o pior estado do Brasil em alfabetização infantil.
Com apenas 48% das crianças da rede pública alfabetizadas até o 2º ano do Ensino Fundamental, o estado amarga a última posição (27° lugar) do ranking nacional. O resultado coloca o RN abaixo de estados vizinhos e evidencia um abismo educacional em relação aos líderes do levantamento.
O Cenário Nacional: Um País, Duas Realidades
Enquanto o topo da lista demonstra que é possível atingir níveis de excelência na rede pública, a base do ranking reflete a urgência de revisões estruturais. A diferença entre o primeiro e o último colocado chega a impressionantes 36 pontos percentuais.
Veja abaixo a classificação completa dos estados:
Ranking da Alfabetização Infantil no Brasil
Percentual de crianças alfabetizadas no 2º ano da rede pública (2025)
Posição Estado Crianças Alfabetizadas 2025
1° Ceará 84%
2° Paraná 80%
2° Goiás 80%
4° Piauí 77%
4° Espírito Santo 77%
6° Rondônia 75%
6° Mato Grosso 75%
8° Minas Gerais 74%
9° Paraíba 71%
10° Maranhão 69%
11° Acre 68%
12° Pernambuco 66%
12° Mato Grosso do Sul 66%
14° Distrito Federal 65%
15° Alagoas 64%
16° Tocantins 61%
16° São Paulo 61%
18° Amapá 60%
18° Rio de Janeiro 60%
20° Santa Catarina 59%
21° Pará 58%
22° Amazonas 57%
22° Roraima 57%
24° Bahia 55%
25° Rio Grande do Sul 52%
26° Sergipe 50%
27° Rio Grande do Norte 48%
Fonte: Indicador Criança Alfabetizada 2025 (MEC/Inep)
O Brasil precisa aprender com o Brasil
A disparidade dos dados levanta um questionamento inevitável: como um mesmo país pode apresentar resultados tão heterogêneos? O cruzamento de dados mostra que o desenvolvimento econômico isolado não explica o sucesso ou o fracasso escolar. Estados com PIBs elevados aparecem em posições intermediárias ou baixas (como São Paulo com 61% e Rio Grande do Sul com 52%), enquanto estados com menor receita conseguem figurar no topo.
A resposta para a eficiência na alfabetização, portanto, não está apenas no volume de dinheiro disponível, mas em fatores de gestão e continuidade:
Aplicação do recurso: Como a verba destinada à educação está sendo convertida em ferramentas pedagógicas?
Regime de colaboração: Existe cooperação real e sem barreiras políticas entre o Governo Federal, os Estados e os Municípios?
Formação docente: Os professores que estão na ponta recebem apoio, material e capacitação adequados?
Monitoramento: Os dados de aprendizagem são usados de forma contínua para corrigir rotas ao longo do ano letivo?
Mín. 21° Máx. 35°


